É ano de copa do mundo. A cidade começa a ganhar o verde e amarelo diante do cinza da neblina de inverno. O 7×1 da copa passada ainda amarga a lembrança, mas o sentimento de “agora vai” invade a esperança daqueles que acreditam em um inédito hexacampeonato de uma seleção liderada por Neymar, Gabriel Jesus e Coutinho.

Só que em meio aos gritos de pra frente Brasil! também tem gente que acredita que, dada a situação política e econômica que vivemos, não temos motivos para torcer e comemorar. Para estes, a diversão da copa é o pão e circo que cai como uma luva para os donos do poder.

Fato é que a copa do mundo mistura diversos sentimentos como fé, esperança e diversão. E é sobre esta última que quero tratar aqui. Ainda que a situação seja difícil e complicada, a diversão é importante e necessária na vida do brasileiro e do cristão.

Parece que a substância diversão é inseparável da química chamada brasileiragem. Nós, por natureza, somos divertidos. Os não-brasileiros reconhecem isso logo de cara quando nos visitam ou quando nós os visitamos. Somos conhecidos por termos um sorriso fácil e por nos divertir em situações até inapropriadas. Nós gostamos de brincar e levamos a sério as brincadeiras.

Em um artigo*, Emilio Garofalo Neto fala sobre a diversão enquanto um produto da humanidade, e que reflete, ainda que imperfeitamente, a imagem de Deus. Quando nos divertimos, alegremente exercitamos nossa criatividade diante da criação, contemplamos a beleza, aproveitamos da vida que Deus graciosamente nos deu e damos atividade ao descanso. Encontramos na boa diversão o eco da eternidade que Deus deu à alma de cada um de nós. Dessa forma, entendo que a diversão é necessária para o cristão.

Mas não podemos ser ingênuos. É possível que a diversão vire passeio e nos aflija com um quarto gol ainda no primeiro tempo. Na nossa busca por diversão, ainda que legítima, podemos nos deparar com uma esperança errada e voltada para si mesma, na diversão pela diversão. O lazer pelo lazer. A piada pela piada. Construímos em volta da narrativa de diversão uma espécie de realidade paralela na qual todas as outras coisas da nossa vida convergem e nada mais, além daquilo, importa. Mais do que a diversão, o saber se divertir é necessário para o cristão.

Nesse saber-divertir a diversão ganha contexto. Em Eclesiastes 2.25, livro escrito sobre a sabedoria da vida, o pregador faz uma pergunta depois de perceber que os prazeres da vida são uma consequência da boa mão de Deus, ele diz: “Pois quem pode comer ou desfrutar algo sem ele?”. A diversão faz parte da sabedoria da vida.

Logo, o prazer e a diversão não são errados, mas têm um lugar apropriado e este se faz quando convidamos Deus à nossa diversão, entendendo que ele é a própria causa dela. Nós só podemos nos divertir porque Deus nos dá este privilégio. O “divertir” nos coloca diante da vida que Deus nos deu, vida que por inteiro deve ser desfrutada para a sua glória.

Diante do convite da diversão e da vida para a glória de Deus, consideramos a nossa realidade. Não perca a oportunidade de contar uma boa piada, de jogar conversa fora, de assistir um bom filme e de torcer pela seleção nas próximas semanas. Viva a vida com intensidade e saiba que o sábio reconhece que a diversão vem da boa mão de Deus.

tenor


* NETO, E. G. A busca humana da diversão sob a ótica bíblica da criação-queda-redenção. Fides Reformata XVI, N2, p. 27-49, 2011.

Vem com a brasileiragem, comenta aí

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