Um dos maiores perigos dessa era é o da desumanização. Nós sempre convivemos com isso, desde que o mundo é mundo. Mas a internet tem sua capacidade incrível de levar às últimas consequências as tendências que a gente consegue refrear na vida concreta de fato.

Dizem que levamos poucos segundos pra decidir quase tudo sobre uma pessoa. No primeiro contato, o tom de voz, sua inflexão, roupa, cabelo, óculos, maquiagem, acessórios, postura, enfim, tudo é fotografado e processado de forma praticamente irracional. E eis o estranho enjaulado nas categorias internas de nossas prisões conceituais.

O “problema” é que nas relações concretas, não dá pra dar unfollow. Não dá pra deixar de seguir. A gente não escolhe apagar o post, “mutar” ou quaisquer outras coisas correlatas. Na vida real a gente é obrigado a conviver. E, convivendo, muitas vezes temos gratíssimas surpresas.

Afinal, uma das experiências mais lindas do ser humano é perceber a complexidade do outro. É verdade que segundos bastam pra fotografia inicial, mas a radiografia requer anos. E é no transpor dessa primeira análise que percebemos, muitas vezes, que do outro lado está uma pessoa. Igualzinha a nós, pelo menos em sua humanidade.

Qual a questão das redes sociais? Primeiro, quem publica consegue emoldurar suas falas. Escolhemos, com calma, as palavras e as imagens. Escolhemos os tópicos e agimos como um escultor. Construímos a imagem que queremos passar. Segundo, quem recebe tem a opção de simplesmente desistir. É fácil bloquear unilateralmente o outro e simplesmente ignorar sua presença.

Ambas as coisas são impossíveis na vida concreta! Enquanto estamos em carne e osso juntos, nossas ações são muitíssimas vezes irrefreadas. Reagimos em segundos e lá não dá pra maquiar tanto. Além disso, quem está do nosso lado não tem como fugir. Pelo menos não na mesma facilidade!

E é aí que aprendemos que essa obrigação de convivermos nos mostra coisas belíssimas. A vida ensina algo claro: o outro não se reduz à política. Ninguém é “esquerdopata” por essência. Ninguém é resumido em ser “coxinha”. Do outro lado está uma pessoa.

Por favor, não deixe o facebook te matar. Por trás de cada tela, existe um ser humano com sonhos, ambições, afetos, gostos, jeitos, dons, talentos, personalidade, etc. Nós não nos resumimos nas categorias que cabem no facebook. A vida é maior que a internet! 

Em tempos de tanto ódio, porque não enxergamos as pessoas como nosso Senhor Jesus? Discordamos? Claro! Nos irritamos? Óbvio. Mas não desistimos uns dos outros. Afinal, será que não há um caminho mais elevado do que o “deixar de seguir”? É engraçado que os mais militantes virtuais estão rodeados de amigos na vida concreta que dão testemunho de que o fulano não se resume a isso.

É claro. Essa redução é impossível. Afinal, somos criados à imagem e semelhança do Ser mais completo e maravilhoso que existe. Que tal redescobrirmos isso?

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