Ontem, o Brasil foi pego de surpresa e assistiu atônito à tentativa de homicídio ao presidenciável Jair Bolsonaro. O deputado, sendo guiado pelas ruas por parte de seu eleitorado mineiro, foi ferido na barriga por um sujeito armado com uma faca. A intenção, óbvia e inequívoca, era matá-lo.

É impossível que você não tenha participado de diversos debates sobre o episódio. O ataque serviu para elevar ainda mais a temperatura já fervente da corrida eleitoral. Se os ânimos estavam exaltados até então, agora a chapa realmente esquentou de vez. Aquela lâmina partiu ainda  mais um Brasil já dividido.

Momentos apaixonados provocam reações igualmente apaixonadas. As poucas horas que se seguiram serviram para dar uma boa noção de como andam os corações tupiniquins. Há os que gritam “mártir” e os que berram “colheu o que plantou”. O problema, porém, é que nesse bolo todo tem muita gente que não percebe o óbvio: ainda somos humanos. Por trás das máscaras “direita”, “esquerda”, “candidato”, “presidente”, “vice”, “golpista”, “esquerdopata”, existem pessoas. São pessoas criadas por Deus. Para além de “um esquerdista que tentou assassinar um deputado do exército”, um ser humano tentou tirar a vida de outro. Duas pessoas.

Neste turbilhão, a pergunta que emerge é: como um cristão deve se postar? É óbvio, mas talvez você não tenha ainda percebido que se nós nos comportamos como os que não caminham com Jesus, algo está profundamente equivocado. Se nossa reação é igual, nosso coração pode também ser igualmente vazio do Senhor.

Perceba, ser cristão não te obriga a abraçar nenhuma vertente política a priori. Não te obriga a ser azul, nem vermelho. Você pode ser cristão e optar por um caminho diverso de outro irmão seu igualmente crente, igualmente salvo e igualmente apaixonado pelo Senhor. O que não se coaduna com a fé é ter as mesmas esperanças, anseios, afetos, reações e medos dos que não conhecem o Senhor.

É urgente gritarmos: ser cristão é compreender que, apesar de o evangelho ter muito a dizer sobre política, é supra político. O Reino vem em primeiro lugar, sempre. Isso já traz uma série de compromissos e de posturas que necessariamente nos diferenciam de quem não vive debaixo da certeza que o Filho amado de Deus não ficou preso àquela tumba! Jesus vive soberanamente e governa os povos.

É por causa dessa esperança e certeza que nos engajamos com a política, somos ativos nela e buscamos ser responsáveis com nossos votos e ações. Porém, sabemos que servimos a outro Senhor. Nosso coração não pertence a qualquer partido ou candidato, mas ao Senhor Jesus que morreu por nós.

Precisamos nos colocar diante de Deus e rogar ao Espírito que nos guie num país tão confuso como o Brasil. Que episódios como esse nos encham de uma fome e sede por justiça aqui em nossa terra. Toda injustiça deve nos indignar igualmente. Todo homem e mulher deve ser alvo do nosso amor. Todo coração sem Cristo é um campo missionário!

Nossa esperança é chegar até outubro um pouco mais sensíveis ao Deus que nos salvou. Que o Brasil seja abençoado através de nossa vida por sermos cristãos que se posicionam ativamente nos debates políticos, mas que não são reféns de nenhum compromisso ideológico ou partidário. Somos servos do Deus eterno.

 


Este texto foi escrito para o boletim da Igreja Presbiteriana de Tatuí, onde será veiculado.

Foto da imagem: Fábio Mota/Estadão Conteúdo

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