Poucos filmes me fizeram ir ao cinema mais de uma vez. “Nasce uma estrela” será um deles. A estreia de Bradley Cooper na direção conta com sua própria encarnação de Jackson Maine, um famoso cantor que descobre Ally, uma garçonete que, apesar da belíssima voz e inequívoco talento, não consegue espaço no meio musical. O detalhe: Ally é interpretada por Lady Gaga, causando estranheza e suspeição pra quem não está acostumado com a cantora pop.

A beleza do filme é conseguir captar justamente o “não conto” de fadas. Para muito além do par romântico que ocupa toda a história se perseguindo sem estar junto e que finalmente se encontra no final “felizes para sempre”, a jornada amorosa e musical de Jackson e Ally é muito mais crua. Os espectadores veem o que o vídeo não mostra, o que o microfone esconde. Ele luta contra um seríssimo vício em drogas e álcool, ela está se achando no mundo da música e se tornando uma estrela meteórica.

Bem, para ficar aquém dos spoilers, o ponto do filme é belíssimo. Sendo um filho de Hollywood, cresci acostumado às narrativas cativas ao encantador, ao fácil. O filme sempre mostra a conquista, a excitação, o novo, o que ainda não foi desbravado. Confesso que cresci na expectativa que toda história de amor é empolgante. O amor nos arrebataria, faria-nos vencer montanhas, passar por ferro e fogo, contra tudo e contra todos, e emergir do lado de lá cheios de beleza e encanto.

A vida, porém, não cabe no cinema. Pelo menos não no cinema mainstream comum. É um pouco do La La Land. A vida real nem sempre é bela. Nem sempre é cheia de adrenalina, reviravoltas e enlevos. Os momentos em que estamos como numa neblina, inebriados com o encantamento são curtos. A vida não é um eterno monte da transfiguração: ela acontece lá em baixo.

É nessa vivência do real, completamente encharcada de incompreensões, atritos, desencontros, vícios e inaptidões é que a história de Jackson e Ally é descortinada. Neles, vemos a vida como muitas vezes é: feia, espinhosa, difícil e dolorosa.

O lindo está nisso. É justamente nesse tipo de ambiente que o casal nos ensina. É no lamaçal de duas pessoas profundamente pecadoras que a graça brota bela e poderosa. São dois mega astros que têm duas armas poderosíssimas: fortuna e fama, mas que insistem em permanecer juntos. Encontram sentido um no outro, ao invés de descartar o outro e se lançar à livre saciedade dos desejos. Se entregam um ao outro e, decidindo que vale a pena insistir, caminham em meio a dor e sofrimento em busca de uma vida que faça sentido, que realmente os preencham.

Saí do cinema totalmente moído. Lembrei novamente de quem eu sou. Na minha história particular de amor, não sou a parte santa. Meu coração insiste em me fazer o herói. Nada mais infernal. Foi no redescobrir novamente minha necessidade da graça que me vi pelos olhos da minha esposa: um pecador.

Não consigo olhar para Aninha da mesma forma depois de “Nasce uma Estrela”. Sou grato a Deus por todas as vezes que ela decidiu permanecer comigo apesar da minha feiura, dos meus espinhos. Só experimenta a verdadeira beleza quem consegue viver a graça de perdoar e ser perdoado. De perceber no outro perdão e aceitação. É esse caminhar cambaleante, mas a dois, que está o segredo do verdadeiro romance.

Saí também lembrando que o meu Senhor me chamou para um viver de graça. É nessa insistência um no outro que seremos o que Jesus nos criou para ser: família. É diferente do cinema cor de rosa, mas é de uma beleza incomparável porque aponta para ele: Jesus Cristo, o próprio amor.

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