“Esteja sobre nós o teu amor, Senhor, como está em ti a nossa esperança.” –  Salmo 33:22

“(…) mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o Senhor, e ajo com lealdade, com justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado”, declara o Senhor.” –  Jeremias 9:24

Onde está nossa esperança? No que nos gloriamos?

Na noite deste domingo, 28 de outubro de 2018, teremos o resultado de nossa eleição presidencial. Uma parcela da população celebrará a vitória daquele em quem votou, a outra lamentará a derrota de seu candidato. Mas não é simples assim, né?

Nossa eleição tornou-se polarizada, com os candidatos ao segundo turno apresentados como ameaça ou esperança do Brasil. Há linguagem, expectativas e fanatismos religiosos de ambas as partes. E queremos saber: quem vai ganhar? Há esperança para a justiça, a democracia, para o país?

Saberemos em tempo real de onde estivermos, pelos nossos celulares. A partir das 19:00h, a apuração das urnas começa a ser divulgada. Podemos ansiosamente acompanhar as parciais até que se concretize nossa expectativa ou lamento – e isso mesmo de dentro da igreja, de nossos momentos de culto. Qual o problema disto? É que, geralmente, Deus não precisa das breaking News, as manchetes e alertas que (hoje) surgem no smartphone para conduzir a História.

Na realidade, muitas vezes Deus faz coisas grandiosas através de eventos discretos, que não podemos mensurar sua importância no momento em que acontecem. Outras vezes, no meio do caos e confusão, a realidade última que Deus revela é diferente.

Pense comigo nos livros de I e II Samuel (abordados pelo calendário litúrgico este ano // https://lecionario.com/ ). Neles vemos as histórias dos grandes reis de Israel: Saul, Davi, Salomão. Mas, antes dos grandes atos, das batalhas… Como tudo isso começa? De maneira simples, discreta: Ana, uma mulher deprimida por não ter filhos, derrama seu coração e angústia diante de Deus (1Sm. 1) – oração.

Pense também nas narrativas bíblicas do Natal. A manchete é que o imperador ordenou um grande recenseamento. Ele quer saber quão grandes e poderosos é seu governo, riqueza e exércitos. No entanto, numa discreta Belém, nasce Jesus, o Deus-Filho, o ser humano mais importante da História. Quem celebra o nascimento do Rei do Universo? Trabalhadores rurais nos campos e sábios estrangeiros! Não há arautos oficiais anunciando a notícia na capital. Deus é quem revela a boa nova e traz pastores e magos para adorar Jesus (Mt. 1-2, Lc. 1-2).

Pense no relato de João, na Revelação, o Apocalipse. Quem governa, manda e desmanda é o Imperador Romano – valendo-se de violência, corrupção, opressão. João, o discípulo amando, está exilado na ilha de Patmos por causa de sua fé. E então, no domingo, dia de celebrar a ressurreição, o apóstolo vê o próprio Cristo! Jesus revela a visão de que no trono da História quem se assenta é o cordeiro que foi morto, não César! Jesus mostra que toda injustiça será julgada! Que ele tem nas mãos os planos de governo da História e da Eternidade: o fim de toda ameaça, a concretização de toda esperança verdadeira!

Diante de tudo isso, eu te convido a um exercício apocalíptico: desligue seu celular hoje no culto. Se precisa dele para acompanhar a leitura bíblica, deixe-o em modo avião. Ignore propositalmente as notícias. As perguntas por de trás do exercício são simples: onde está nossa esperança? No que nos gloriamos? O que é mais importante no seu coração: celebrar ou lamentar o desempenho do seu candidato ou celebrar a vitória do Rei do Universo?  

Os Salmos afirmam que “o tolo diz em seu coração: ‘não há Deus’” (Sl. 14:1). A afirmação é feita no coração, não na mente. O apóstolo Paulo fala aos filipenses que os inimigos da cruz de Cristo “só pensam nas coisas terrenas”, mas “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente um Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Pelo poder que o capacita a colocar todas as coisas debaixo do seu domínio, ele transformará os nossos corpos humilhados, para serem semelhantes ao seu corpo glorioso.” (Fp. 3:18-21). Em função disso, não andamos ansiosos pelas coisas aqui da terra, “mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças” apresentamos nossos pedidos a Deus, pensamos nas coisas lá do alto e em tudo que há algum louvor, tentamos colocar nossa fé em Prática (Fp. 4). Fazemos isso celebrando a vitória do cordeiro.

Jesus venceu as maiores ameaças: a tirania e a corrupção da morte e do pecado. Ele reina! Celebramos a vitória de Cristo a cada dia, mas especialmente a cada domingo. Celebramos hoje. É a vitória mais importante! Importa menos o resultado das urnas. Não deixe seu celular atrapalhar seu culto. Não é uma questão de fugir da realidade, mas de mergulhar na realidade última: Jesus Reina. É isso que verdadeiramente organiza nosso dia-a-dia, não quem se assenta no Palácio do Planalto. Se Jesus venceu em nosso coração, ele governará nossa vida, inclusive cidadã e política (seja situação ou oposição) não apenas pelos próximos quatro anos, mas por toda eternidade.


Texto especial escrito por André Pereira, pastor presbiteriano em Brasília-DF.

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